Na esteira da Operação Lava Jato, agentes da Polícia Federal lançaram, nesta terça-feira, 22, em Brasília, uma frente de candidatos ligados à instituição que irão disputar as eleições de 2018. Apesar da presença de deputados “amigos”, como Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que integra o coletivo, o grupo busca se dissociar do discurso político.

O lançamento serviu para apresentar as 29 pessoas com alguma relação com a Polícia Federal que sairão para tentar vagas de senador, deputado estadual, deputado federal e deputado distrital em 23 Estados e no Distrito Federal.

Dos 29, três disputarão vaga ao Senado, enquanto que a maioria dos agentes tentará um posto na Câmara Federal. O nome mais conhecido do grupo é o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que é escrivão de Polícia Federal e vai tentar se reeleger. Eduardo entrou para a política após o sucesso do pai, Jair Bolsonaro, deputado federal e pré-candidato à Presidência pelo PSL.

“O papel dele (Eduardo Bolsonaro) na frente é como policial federal. O que a gente espera dele é que ele defenda os itens de bandeira da frente, que são itens de segurança pública. As outras questões que são voltadas mais para a família Bolsonaro e dele, eu acredito que ele mesmo vai deixar num segundo plano. Ele fez esse compromisso com a gente”, disse o presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Luís Antonio Boudens. A Fenapef é uma das entidades responsáveis pela organização do evento.

Todos os pré-candidatos da frente assinaram simbolicamente a intenção de cumprir uma agenda de propostas composta por cinco itens, se eleitos para os postos que almejam. Os cinco compromissos incluem “fim do foro privilegiado” para os três Poderes, o que inclui magistrados, e a desburocratização das investigações criminais. Também fazem parte da lista o “combate à corrupção”, de maneira genérica, a defesa do ciclo completo de Polícia Federal e a entrada única nas forças de Polícia Federal.

“Estamos evitando esse conteúdo partidário, justamente por isso fizemos esse documento. E nisso ele (Eduardo Bolsonaro) se encaixa. Embora ele tenha o viés do pai dele de críticas políticas, ele também tem essa bagagem de melhoria da segurança pública. A gente tenta evitar essa mistura, por isso somos uma frente suprapartidária, temos partidos de direita e esquerda. A gente deixou isso bem claro (para ele) quando a gente não privilegiou os eleitos em detrimento dos outros. Então a gente evita esse conteúdo político, o conteúdo é técnico”, defendeu o policial federal Flávio Werneck, que será candidato a deputado federal pelo PHS e é presidente do Sindicato dos Policias Federais no Distrito Federal.

O lançamento da frente ocorreu na sede da Associação dos Magistrados do Distrito Federal com direito a coquetel, que incluía champanhe, cerveja e quitutes, como camarão empanado e queijo coalho com melaço.

As informações sobre o grupo também constam de um site que reúne detalhes sobre todos os candidatos. Sem poder utilizar o logotipo da Polícia Federal, a frente adotou as cores amarela e preta e uma mensagem: “Segurança sim. Corrupção não”. Os policiais federais dizem “não ter partido”, mas sim trabalharem “por um Brasil melhor”. Os 29 candidatos estão associados a 18 legendas.

Fonte: Estadão